“Que barulho é este?”, resmungou enquanto se levantava ainda com os olhos semicerrados. “Eu sabia que não devia ter vindo morar para um prédio de universitários”. Encheu um copo de água e dirigiu-se para perto da janela da cozinha. Ficou a admirar por um instante o céu extremamente azul daquela manhã de sábado, tentando vencer a claridade que lhe feria os olhos. Espreguiçou-se e depois olhou para baixo. Na rua os rapazes jogavam à bola e faziam a habitual algazarra. Sorriu e começou a lembrar da sua infância, de como era óptimo não ter preocupações e medos. Principalmente medos. De arriscar, de dar o primeiro passo.
Pousou o copo e começou a abanar a cabeça como que, se dessa maneira, os pensamentos ruins o abandonassem. “Vá coragem! Só vais estar com a mulher que amas. Não é nada demais”, disse numa voz alta, grossa e confiante. “Bem, é só um dos momentos mais importantes da tua vida”. Abanou de novo a cabeça e foi arranjar-se, faltava apenas uma hora até encontrar Joan.
Era colega de Allison no escritório de advogados e, mesmo ao fim-de-semana, não largava os trajes formais e sóbrios. Não sabia bem porquê mas era como se sentia bem, ou por demonstrar a sua classe social ou porque condizia com a sua personalidade. Perfumou-se e arrumou o frasco. “Mais um pouco”.
Parou em pé e respirava fundo como que à espera de um sinal enquando olhava para o violão, cuidadosamente pousado no sofá. “Tenho a certeza. É isto que quero fazer. É ela.” Pegou-lhe e saiu do apartamento sem olhar mais para trás.
Tinham combinado encontrar-se num jardim situado no centro da cidade, perto da esplanada onde costumavam ir tomar café. Ao aproximar-se do ponto de encontro com o violão às costas, viu-a sentada calmamente num dos bancos junto à fonte.
“Olá J”, disse carinhosamente.
“Senhor Alexander. Estava a ver que nunca mais chegava.”, disse em jeito de picardia. “Porque andas tu com um violão?”, perguntou enquanto soltava gargalhadas.
“Espera. Não digas nada. Ouve-me só”
Alex começou então a tocar e a cantar uma música romântica para ela, enquanto esta o olhava boquiaberta. Ele passara as últimas semanas a ter aulas para aprender a tocar e a não cantar tão desafinado às suas escondidas. Tudo por ela. Tudo porque sabia o quanto ela adorava música e o solo daquele instrumento. Tudo porque também sabia do seu forte relacionamento com um músico. Joan adorava o mundo artístico e ele não, mas sempre se esforçava para compensar essas diferenças de modo a não criar barreiras.
Num minuto começaram a ser rodeados por pessoas que batiam palmas e soltavam algumas palavras, umas a incentivar outras a zombar, mas nada o fazia perder a atenção que há quatro anos estava presa na bonança do profundo mar azul dos olhos de Joan.
Enquanto o ouvia, por momentos imaginou que era Matt no seu lugar e sorriu de felicidade como se tudo de repente finalmente se encaixasse e fizesse sentido. Mas rapidamente se apercebeu que era só uma fantasia do seu coração.
No final da serenata, ele pousou o violão no chão, tirou um anel do bolso, ajoelhou-se e disse as palavras que estavam entaladas há algum tempo.
“Joan, queres casar comigo?”
Ela não conseguia balbuciar nenhuma palavra e sentia-se projectada para uma outra dimensão como se um buraco se tivesse aberto por debaixo dos seus pés e ainda estivesse em queda livre. Não sabia o que pensar. Não sabia o que estava a sentir. Não sabia o que dizer.
Alex e as pessoas que assistiram a tudo aguardavam ansiosamente alguma resposta. Qualquer coisa.
“Joan...”
“...Podemos falar em privado?”, respondeu finalmente.
“Ah...claro claro...desculpa”, disse. Agradeceu ao público enquanto se levantava e afastou-se finalmente com ela para uma parte deserta do jardim.
“Alex...eu gostei imenso da surpresa...uau, aprenderes a tocar violão por mim...mas o pedido, é um tanto precipitado não achas?”
“Não...pensei muito e não acho.”
“Não te quero magoar, mas eu apesar de gostar muito de ti não gosto o suficiente para dar este passo contigo. Ao ver-te a tocar, por momentos lembrei-me dele. Perdoa-me. Não queria sentir nada disto, queria poder dizer-te que sim”, disse enquanto começava a chorar.
Ele não disse mais nada. Mas com os seus olhos inundados de água, não era preciso. De cabeça baixa, virou-lhe as costas e foi embora.
“Espera...vamos conversar”, gritou Joan sem ficar surpreendida de ele não ter parado. Nunca falava dos seus sentimentos nem se sabia expressar. Sempre sabia o que ele sentia pela forma como a olhava ou pelos seus gestos românticos. Desta vez, ironicamente ela também não sabia o que dizer. Só voltaram a falar poucas semanas depois, numa conversa onde ele depositou nela toda a sua raiva e frustrações como que experimentando pela primeira vez dizer tudo o que sentia de uma vez só. Nunca mais falaram até ele ligar.
Após os telefonemas inesperados, Joan ligou para Allison.
“Porque não me disseste que o Alex se ia casar?”
Pousou o copo e começou a abanar a cabeça como que, se dessa maneira, os pensamentos ruins o abandonassem. “Vá coragem! Só vais estar com a mulher que amas. Não é nada demais”, disse numa voz alta, grossa e confiante. “Bem, é só um dos momentos mais importantes da tua vida”. Abanou de novo a cabeça e foi arranjar-se, faltava apenas uma hora até encontrar Joan.
Era colega de Allison no escritório de advogados e, mesmo ao fim-de-semana, não largava os trajes formais e sóbrios. Não sabia bem porquê mas era como se sentia bem, ou por demonstrar a sua classe social ou porque condizia com a sua personalidade. Perfumou-se e arrumou o frasco. “Mais um pouco”.
Parou em pé e respirava fundo como que à espera de um sinal enquando olhava para o violão, cuidadosamente pousado no sofá. “Tenho a certeza. É isto que quero fazer. É ela.” Pegou-lhe e saiu do apartamento sem olhar mais para trás.
Tinham combinado encontrar-se num jardim situado no centro da cidade, perto da esplanada onde costumavam ir tomar café. Ao aproximar-se do ponto de encontro com o violão às costas, viu-a sentada calmamente num dos bancos junto à fonte.
“Olá J”, disse carinhosamente.
“Senhor Alexander. Estava a ver que nunca mais chegava.”, disse em jeito de picardia. “Porque andas tu com um violão?”, perguntou enquanto soltava gargalhadas.
“Espera. Não digas nada. Ouve-me só”
Alex começou então a tocar e a cantar uma música romântica para ela, enquanto esta o olhava boquiaberta. Ele passara as últimas semanas a ter aulas para aprender a tocar e a não cantar tão desafinado às suas escondidas. Tudo por ela. Tudo porque sabia o quanto ela adorava música e o solo daquele instrumento. Tudo porque também sabia do seu forte relacionamento com um músico. Joan adorava o mundo artístico e ele não, mas sempre se esforçava para compensar essas diferenças de modo a não criar barreiras.
Num minuto começaram a ser rodeados por pessoas que batiam palmas e soltavam algumas palavras, umas a incentivar outras a zombar, mas nada o fazia perder a atenção que há quatro anos estava presa na bonança do profundo mar azul dos olhos de Joan.
Enquanto o ouvia, por momentos imaginou que era Matt no seu lugar e sorriu de felicidade como se tudo de repente finalmente se encaixasse e fizesse sentido. Mas rapidamente se apercebeu que era só uma fantasia do seu coração.
No final da serenata, ele pousou o violão no chão, tirou um anel do bolso, ajoelhou-se e disse as palavras que estavam entaladas há algum tempo.
“Joan, queres casar comigo?”
Ela não conseguia balbuciar nenhuma palavra e sentia-se projectada para uma outra dimensão como se um buraco se tivesse aberto por debaixo dos seus pés e ainda estivesse em queda livre. Não sabia o que pensar. Não sabia o que estava a sentir. Não sabia o que dizer.
Alex e as pessoas que assistiram a tudo aguardavam ansiosamente alguma resposta. Qualquer coisa.
“Joan...”
“...Podemos falar em privado?”, respondeu finalmente.
“Ah...claro claro...desculpa”, disse. Agradeceu ao público enquanto se levantava e afastou-se finalmente com ela para uma parte deserta do jardim.
“Alex...eu gostei imenso da surpresa...uau, aprenderes a tocar violão por mim...mas o pedido, é um tanto precipitado não achas?”
“Não...pensei muito e não acho.”
“Não te quero magoar, mas eu apesar de gostar muito de ti não gosto o suficiente para dar este passo contigo. Ao ver-te a tocar, por momentos lembrei-me dele. Perdoa-me. Não queria sentir nada disto, queria poder dizer-te que sim”, disse enquanto começava a chorar.
Ele não disse mais nada. Mas com os seus olhos inundados de água, não era preciso. De cabeça baixa, virou-lhe as costas e foi embora.
“Espera...vamos conversar”, gritou Joan sem ficar surpreendida de ele não ter parado. Nunca falava dos seus sentimentos nem se sabia expressar. Sempre sabia o que ele sentia pela forma como a olhava ou pelos seus gestos românticos. Desta vez, ironicamente ela também não sabia o que dizer. Só voltaram a falar poucas semanas depois, numa conversa onde ele depositou nela toda a sua raiva e frustrações como que experimentando pela primeira vez dizer tudo o que sentia de uma vez só. Nunca mais falaram até ele ligar.
Após os telefonemas inesperados, Joan ligou para Allison.
“Porque não me disseste que o Alex se ia casar?”