Numa casa junto à praia, o vento passava despercebido a Joan, enquanto a chuva se confundia com as lágrimas abundantes e pesadas que escorregavam pela sua face cansada e triste.
Tinha finalmente engolido o orgulho e tentou ligar...mas não teve uma resposta. A tentativa falhou e agora tinha de viver com a dor de saber que afinal não havia uma solução. Já não havia aquela esperança de que se fizesse alguma coisa, tudo poderia mudar.
Pousou então o telefone na mesa-de-cabeceira e encostou-se na almofada. Respirou fundo em busca das forças que a abandonaram e a fizeram ceder ao coração, que a obrigou a fazer a chamada. Pegou num livro e tentou começar a ler, enquanto as lágrimas teimosas caíam aos pares como se tivessem vida e vontade próprias.
Desistiu de tentar ocupar a cabeça com outras coisas. Era uma luta em vão, uma luta que antes de começar já sabia que a havia perdido. Os pensamentos ou talvez as saudades levaram-na até à última vez em que sentiu de verdade.
Coincidia com a última vez que o viu. Estavam parados dentro do carro em frente à estação de comboio que o levaria para longe. O carro cheirava a chocolate, passaram a viagem a comer doces como sempre gostavam de fazer. A conversa nada parecia com um adeus. Quando a pessoa é a certa a espontaneidade é que governa no reino do Amor.
Estava com a mão no manípulo das mudanças como costuma sempre fazer. Foi aí. Foi aí que sentiu a mão de Matt a apertar a sua, forte e suavemente em simultâneo e... arrepiou-se e sentiu as tais borboletas no estômago, que todos dizem sentir quando a pessoa que gostam os beijam. Mas não era preciso mais nada. Nem um beijo. Bastou o toque da sua alma na dela através do simples e perfeito contacto da pele.
Já então as lágrimas tinham vontade própria e Joan sentiu-as a acarinhar-lhe a cara. Tudo o que precisamos de saber não é o beijo que nos diz, porque um beijo sente-se. Um toque ou se sente ou passa despercebido. Depois aconteceu o beijo que provou tudo o que as mãos já lhe tinham dito. O problema era o sentimento que agora só habitava em si, na sua mão, na sua boca, no seu corpo, no seu coração.
E ele partiu. E a última lembrança de Matt é o seu caminhar de costas.
Joan ficou a lembrar de todo o último encontro e de como ficou horas dentro do carro, na esperança de vê-lo chegar a correr e a gritar “Ainda te amo” ou “Quero ficar contigo”. Mas nada disso aconteceu. O mundo permaneceu confuso e virado ao contrário e Joan perdida nele sem nenhum ponto de referência.
A partir daí dedicou-se a fingir sentimentos e a canalizar os seus para as suas poesias. “Pelo menos consegui viver do que escrevo”, pensou. Mas esse pensamento de sucesso não conseguiu parar a batalha entre a tristeza, o conformismo, o desespero e a raiva que, desde esse dia, era travada dentro de si.
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Este tambem esta mt bom, isto é so pessoas com arte a correr lhes nas veias :D lol
ResponderEliminaruhuh...obrigada:)
ResponderEliminarGostei, mais em especial da parte daquele toque ou carinho que muitas das vezes nos faz 'arrancar' um sorriso a alguém que esteja triste.Carinho, palavra a ter em conta nos tempos de hoje...Continua CatS, estou a gostar de te ver a escrever...
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