Joan acordou com umas pequenas partículas de luz a bater-lhe na cara como se estivessem a espreitar curiosas por entre as frechas da persiana. Mexeu-se na cama para ganhar coragem de se levantar, mas ouviu o barulho peculiar de algumas folhas a cair. “Ainda agora começou o dia e já está esta confusão”, resmungou como se alguém a estivesse a ouvir.
Num dia normal teria se deliciado com o sol a invadir-lhe o quarto de uma luz carregada de esperança e com a serenidade e paz que o barulho do mar lhe trazia. Foi essa a razão de se mudar para a praia. Por si e para conseguir escrever sem grandes distracções.
Levantou-se com o mundo em cima dos ombros, abriu a persiana e foi à varanda. Respirou fundo e abriu os braços como que à espera que o vento a levitasse, transportando-a para outro mundo. Um mundo onde pudesse voltar a sentir-se completamente feliz. E apesar de tudo, sorriu. "A beleza do mundo e a alegria das coisas conspiram contra os maus sentimentos a toda a hora. Nós é que não nos deixamos levar". Com isto em mente o seu sorriso tornou-se sincero e não apenas uma forma de se enganar.
Regressou ao quarto e viu a meia dúzia de folhas no chão. Lembrou-se que ontem não conseguia dormir e fez alguns rascunhos de poemas. Apressou-se a apanhá-las. A bagunça recordava-lhe o desespero e a dor da noite passada. Mesmo assim, não aguentou a curiosidade e leu o que estava escrito numa das folhas.
“Ameno inverno,
Nascido em ti...
Amor eterno
Nascido em nós
Só tu,
Acalmas esta alma perdida
Só tu,
Fazes bater este teu coração
Leve e suave brisa ecoa no ouvido
Quando me sussurras.
Encontrei-me ao te pertencer
Venço o tempo só para te ter
Ergo-me confiante,
Para o melhor fazer
Porque és tu
Todo o meu ser...”
Suspirou. Mas antes que pudesse pensar sobre o assunto reparou nas horas e no quanto estava atrasada para ir dar a sua aula de Escrita Criativa. Guardou as folhas numa pasta e correu para arranjar-se.
Há quem espere que o tempo resolva todos os problemas emocionais e, desta vez, resolveu...pelo menos a curto prazo. Se não estivesse atrasada iniciava-se o ciclo de bombardeamentos de pensamentos e sentimentos que sempre a deixavam completamente em baixo, sem vontade para nada, sem auto-estima e num estado tão desesperado, consequência de não saber lidar com o que sentia. Parecia quase doentio.
Meia-hora depois, Joan estava a sair de casa no seu Audi A3 prateado. Mas desta feita o tempo já não estava a seu favor e a pressa custou-lhe um acidente contra um Toyota com poucos anos.
“Só me faltava mais esta”, pensou enquanto via um indivíduo a aproximar-se da sua porta com cara de poucos amigos.
Num dia normal teria se deliciado com o sol a invadir-lhe o quarto de uma luz carregada de esperança e com a serenidade e paz que o barulho do mar lhe trazia. Foi essa a razão de se mudar para a praia. Por si e para conseguir escrever sem grandes distracções.
Levantou-se com o mundo em cima dos ombros, abriu a persiana e foi à varanda. Respirou fundo e abriu os braços como que à espera que o vento a levitasse, transportando-a para outro mundo. Um mundo onde pudesse voltar a sentir-se completamente feliz. E apesar de tudo, sorriu. "A beleza do mundo e a alegria das coisas conspiram contra os maus sentimentos a toda a hora. Nós é que não nos deixamos levar". Com isto em mente o seu sorriso tornou-se sincero e não apenas uma forma de se enganar.
Regressou ao quarto e viu a meia dúzia de folhas no chão. Lembrou-se que ontem não conseguia dormir e fez alguns rascunhos de poemas. Apressou-se a apanhá-las. A bagunça recordava-lhe o desespero e a dor da noite passada. Mesmo assim, não aguentou a curiosidade e leu o que estava escrito numa das folhas.
“Ameno inverno,
Nascido em ti...
Amor eterno
Nascido em nós
Só tu,
Acalmas esta alma perdida
Só tu,
Fazes bater este teu coração
Leve e suave brisa ecoa no ouvido
Quando me sussurras.
Encontrei-me ao te pertencer
Venço o tempo só para te ter
Ergo-me confiante,
Para o melhor fazer
Porque és tu
Todo o meu ser...”
Suspirou. Mas antes que pudesse pensar sobre o assunto reparou nas horas e no quanto estava atrasada para ir dar a sua aula de Escrita Criativa. Guardou as folhas numa pasta e correu para arranjar-se.
Há quem espere que o tempo resolva todos os problemas emocionais e, desta vez, resolveu...pelo menos a curto prazo. Se não estivesse atrasada iniciava-se o ciclo de bombardeamentos de pensamentos e sentimentos que sempre a deixavam completamente em baixo, sem vontade para nada, sem auto-estima e num estado tão desesperado, consequência de não saber lidar com o que sentia. Parecia quase doentio.
Meia-hora depois, Joan estava a sair de casa no seu Audi A3 prateado. Mas desta feita o tempo já não estava a seu favor e a pressa custou-lhe um acidente contra um Toyota com poucos anos.
“Só me faltava mais esta”, pensou enquanto via um indivíduo a aproximar-se da sua porta com cara de poucos amigos.
Dias destes é mesmo para se esquecer rápidamente... ver o mar é algo que me 'conforta'...
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